sábado, 7 de abril de 2007

Tupi FC - "Juiz de Fora merece, o Galo não"

Antes de mais nada, vou deixar as coisas bem claras: gosto do Tupi - diria até que gosto muito e tenho prazer em acompanhá-lo no estádio todo jogo - mas não sou torcedor. Não tenho com o Tupi a identificação que me faz Botafoguense, não tenho camisa, não sei de cor o hino, não conheço os títulos do Carijó - se é que há algum - nunca ouvi falar em ex-jogadores - exceto por um obscuro "Toledo" que se não me engano, já ouvi falarem uma ou duas vezes nas arquibancadas do estádio - e só o que sei sobre a história do Alvinegro Juizdeforano é a respeito da alcunha de "Fantasma do Mineirão" - mesmo assim com algumas lacunas - e que este ano, sinceramente, nem eu nem o Cruzeiro vimos.

O torcedor deve ter se empolgado quando um importante empresário do ramo das telecomunicações resolveu usar o clube mais popular da cidade como trampolim para uma almejada carreira política. Repentinamente, o clube foi alçado do limbo para a divisão de acesso do mineiro, e por milagre - ou estrela - chegou à primeira divisão. A lógica, seria que o tal empresário não tivesse dinheiro - nem conhecimento - o bastante para manter a equipe entre as grandes de Minas, mas inusitadamente, o time triunfou e hoje está a uma vitória em casa de alcançar a classificação para as semifinais do torneio e a vaga para a terceira divisão nacional.
Quem não se emocionou com o triunfo diante do todo-poderoso Atlético dentro de Estádio Municipal? Quem não se emocionou e deu pulos de alegria quando no apagar das luzes, o Tupi exorcizou o carma Ipatinga e o derrotou em sua melhor fase? O juizdeforano merecia isso, e o Tupi lhe deu.

Não acho o Tupi um grande exemplo de organização no cenário futebolístico nacional, sequer estadual. Um time dependente do dinheiro de uma empresa particular - mais precisamente de um oportunista empolgado com futebol e ávido por visibilidade - que sem eles inexistiria, e pasmem-se: "inexistiria" é mesmo a palavra, não pode ser considerado sequer exemplo de estrutura mínima dentro do futebol.

O objetivo incial é fortalecer a agremiação, para depois, buscar parceiros e tentar alguma política arrojada. Qualquer um com o mínimo de inteligência e prática em gestão esportiva, não permitiria que seu clube ficasse nas mãos de terceiros, mas foi exatamente isso que a atual gestão do Tupi fez, tapando os olhos dos torcedores com resultados - quer queira ou não - satisfatórios e ilusórios.

De qualquer maneira, a atual fase do Tupi é um sinal claro, e uma prova, de que o Juizdeforano gosta de futebol. Por mais que aqui a referência seja o futebol carioca, por mais que a torcida Carijó seja composta quase que em sua totalidade por "simpatizantes", o torcedor comparece ao estádio, faz festas bonitas, apóia o time e isso se reflete dentro de campo absolutamente. Com isso, o Galo - à duras penas, se me permite o trocadilho - avança e consegue algum êxito em suas empreitadas.

O torcedor Juizdeforano merecia um time vencedor, merecia um time que lhe desse alegria, merecia visibilidade, merecia ver Romário num claro teatro desfilar pelo gramado do estádio municipal trajando uma camisa alvinegra que ele, o Baixinho, sequer sabia que existia. É enganoso, mas o torcedor não está enganado, está feliz.

Torço para que este exemplo do Tupi - benéfico para o clube ou não - seja a semente da organização para o futebol de Juiz de Fora. Torço para que se dissemine pelas duas outras grandes agremiações da cidade e que suscite a formação de outras. Tudo é tão bonito! O estádio lotado, a torcida vibrando, os gols saindo e o time ganhando. Parece até que o Tupi existe mesmo.

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